terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cinema Legendado

Videoteca – Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito

O Projeto “Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito – Versão Videoteca” tem como objetivo fundamental garantir, por meio do cinema, a difusão da cultura brasileira para pessoas surdas e cegas do país. O projeto consiste na legendagem e narração de 60 filmes nacionais, já disponíveis em vídeo, utilizando as tecnologias de closed caption e audiodescrição. No total, serão produzidos 200 kits: 100 kits com closed caption, que serão distribuídos para 100 entidades pré-selecionadas envolvidas diretamente com o surdo; e 100 kits com audiodescrição, distribuídos para 100 entidades pré-selecionadas envolvidas diretamente com o cego. A distribuição desses 200 kits será gratuita, e todos os estados brasileiros serão contemplados.
Criado e desenvolvido em 2006, sendo realizado também em 2007, o projeto abriu as portas do cinema nacional para um novo público – cerca de 6 milhões de surdos no Brasil, segundo IBGE em 2000 – permitindo às pessoas com deficiência auditiva o acesso às grandes realizações do cinema brasileiro. Nesse terceiro ano do projeto, o alcance da informação foi ampliado a fim de que os cegos brasileiros – mais de 16 milhões, segundo IBGE em 2000 –, pudessem usufruir um pouco da cultura nacional de forma prazerosa e independente.
Por ser um projeto incentivado pelo Ministério da Cultura (Lei Rouanet), a busca por patrocínio não se estendeu por muito tempo. Em suas duas primeiras edições (2006 e 2007), o projeto contou com o apoio e patrocínio da Petrobras, sendo apontado como destaque no seu balanço social, simbolizando um dos projetos mais importantes na área da acessibilidade.
Pelo atraso ocorrido na renovação do Projeto junto ao MinC, a Petrobrás não teve como incluí-lo para o ano de 2008, pois já havia-se encerrado o prazo para inscrições.
O projeto "Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito – Versão Videoteca" teve seu prazo para captação de recursos extendido para o ano de 2009.

Nosso comentário:
A distribuição dos filmes nacionais com legendas em português deveria ser feita num circuito mais amplo uma vez que nem todo surdo ou deficiente auditivo estuda em escolas especiais para surdos, acreditamos que ao serem colocadas cópias em locadoras, exibidas em salas de cinema ou em canais abertos de TV o público surdo não participante de instituições teria melhorada sua acessibilidade cultural.
Para saber mais sobre legendas acesse:

http://www.cpl.com.br/saiba-mais/#cc-brasil


Entrevista:
Embora seja uma matéria antiga é interessante para que saibamos como funciona a legendagem no Brasil.
Na maioria das vezes trata-se de tradução e legendagem de filmes estrangeiros mas atualmente a legendagem pode ser usada para teatro, ópera e filmes falados em português para facilitar a compreensão dos deficientes auditivos, ajudar na alfabetização, ver TV num ambiente muito barulhento, aprendizado de línguas estrangeiras, etc.


Entrevista com Bruno Murtinho, um dos sócios do grupo 4 Estações.
Para saber mais sobre legendagem eletrônica, visite o site do 4 Estações.

jmbrasil: O que a 4 Estações tem feito? Quais são os próximos projetos da 4 Estações?
Bruno Murtinho: Temos, basicamente trabalhado com legendagem eletrônica de mostras e festivais de cinema em todo o Brasil. A 4Estações surgiu em 2004 quando Isa Carvalho, César Alarcón e eu nos juntamos para assumir a coordenação do Festival do Rio. Nesse período, a Daniela Dias estava conosco e era a “quarta estação” Todos nós tínhamos trabalhado muitos anos como tradutores e lançadores de legenda no Festival. À partir daí, fomos fazendo diversas mostras de pequeno e médio porte. Este ano, vamos fazer o Festival do Rio pela terceira vez seguida e a Mostra de São Paulo pela segunda. Estes são os dois maiores festivais do país com mais de 200 filmes cada um. De um tempo para cá, passamos a prestar serviços de interpretação simultânea e consecutiva para palestras e debates, uma demanda de alguns eventos para os quais prestávamos serviços. Assim, podemos apresentar um pacote completo na área de tradução, incluindo aí, tradução dos catálogos e afins.

jmbrasil: Um serviço interessante oferecido por vocês é o de legendagem de peças de teatro e de óperas. Como isso funciona? O que o público acha da experiência de assistir a uma peça de teatro ou ópera legendada?
Bruno Murtinho: Ópera, na verdade, nunca fizemos. E com teatro, apenas tivemos poucas experiências. Estamos tentando expandir essa área este ano. Legendar teatro tem suas peculiaridades, pois o texto original vai sendo mudado ao longo de uma temporada com cacos e supressões de texto. Então, quando pegamos um trabalho, o ideal é assistir ao ensaio para fazer alguns ajustes e conhecer bem a peça. Isso é importante, pois se um ator esquece o texto e pula um pedaço, saberemos onde procurar.

jmbrasil: No que diz respeito ao trabalho do tradutor, quais as diferenças entre legendagem eletrônica e legendagem feita para TV?
Bruno Murtinho: Na legendagem eletrônica, um lançador fica dentro da sala, projetando as legendas (já traduzidas, claro) em tempo real à medida que o filme vai rolando. Na maioria das vezes, o lançador não teve a oportunidade de assistir ao filme antes, então, ele se guia por dicas, ou indicações visuais de cenas para ele poder acompanhar o que acontece. É muito curioso, pois isso permite que você lance um filme de uma língua exótica como japonês, russo ou farsi, sem entender uma palavra e sem uma legenda em inglês na tela como referência.
Por isso, há algumas diferenças em relação ao trabalho para TV, normalmente, a legenda é maior e fica aparente por mais tempo. Isso acontece para que o lançador tenha mais tranqüilidade para dar a entrada e saída da legenda. Atualmente, trabalhamos com limite de 37 caracteres por linha. A TV trabalha com trinta ou trinta e poucos. Ainda assim, é menor do que na tradução para a queima de legendas em película, que é de 42 caracteres.
O grande problema é quando a versão da VHS que veio para o tradutor é diferente da versão do filme em 35mm. Aí, o lançador pode se perder, mas acaba se achando. Quem já foi a um festival de cinema, é nesse momento e que as pessoas reclamam: “Cadê a legenda!” Não é um trabalho fácil, mas é bastante divertido.

jmbrasil: Vocês contratam tradutores de todo o Brasil? Como fazer para procurar vocês?
Bruno Murtinho: Atualmente, temos uma equipe no Rio e outra em São Paulo. Normalmente, trabalhamos com esse pessoal, mas também temos tradutores ou lançadores em Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e em Brasília. Se alguém quiser nos procurar, é só mandar um e-mail para 4estacoes@legendagem.net
ou visitar nosso site
http://www.legendagem.net/.
jmbrasil: Vocês aceitam arquivos de legendas feitos com que programas?
Bruno Murtinho: Muitas vezes, recebemos traduções de filmes em formatos de vários tipos de arquivos. Às vezes até em texto corrido ou em papel. Isso acontece muito com filmes clássicos. Mas em qualquer um dos casos, é necessário adaptar para o formato que utilizamos, realizar uma análise do material recebido para ver se bate com a versão que temos e inserir as dicas de cenas para o lançador se guiar.
jmbrasil: Os tradutores recebem por caracteres ou por minutagem?
Bruno Murtinho: Nós pagamos um valor fixo por longa ou por blocos de 10 minutos, depende do que conseguimos negociar com o evento. Creio que para o tradutor, o pagamento por tempo seja melhor. Atualmente, pagamos mais do que se paga na TV. Eu soube de tentativas de se pagar por caracteres e na base do que se paga na televisão, mas isso não deu certo, e por sorte, foi rechaçado pelo mercado. Mas estamos conseguindo valores melhores. Como nós três somos tradutores, é sempre interesse nosso, podermos pagar e receber um valor justo pelas traduções.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DEIXE AQUI O SEU COMENTÁRIO